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Chuteiras rosas na Copa: quando a tendência vira padrão, quem se destaca?

A essa altura da Copa, provavelmente você já percebeu: tem muita chuteira rosa em campo.

E não estou falando de qualquer rosa. É um rosa vibrante, altamente saturado, daqueles que praticamente saltam do gramado e chegam primeiro aos nossos olhos antes mesmo de conseguirmos identificar a marca.

Eu não falei sobre a polêmica do uniforme da Confederação Brasileira, mas a discussão em torno das chuteiras me chamou atenção. Não pela polêmica em si. Gosto do debate, mas gosto ainda mais de entender o que existe por trás dele.

Fui pesquisar e encontrei algumas explicações.

Uma delas é bastante objetiva: o contraste. Cores vibrantes têm grande impacto visual e, nos testes em campo, o rosa se destacou contra o verde do gramado.

Outra explicação passa pelas tendências. O rosa aparece entre as cores apontadas para 2026 por empresas de previsão de tendências.

Também encontrei uma interpretação mais simbólica, relacionando o rosa a valores culturalmente associados ao feminino, como acolhimento e sensibilidade, numa possível tentativa de produzir uma imagem mais amigável do futebol e das instituições.

E existe ainda a explicação da própria Nike. Odinga Nimako, gerente sênior de produto da marca, afirmou que pesquisas indicaram que cores vibrantes transmitem confiança em grandes competições e que o rosa apresentou excelente desempenho visual em campo.

Tudo muito pensado.

O problema é que Adidas, Puma e New Balance chegaram praticamente ao mesmo resultado. E isso, para mim, é muito interessante.

Não precisamos necessariamente imaginar uma grande conspiração. É possível que marcas diferentes estejam olhando para pesquisas semelhantes, comportamentos semelhantes, previsões de tendência semelhantes e, portanto, chegando a conclusões parecidas.

É assim que muitas tendências se consolidam, mas foi aí que a minha cabeça foi para outro lugar.

Por que uma chuteira rosa ainda precisa ser explicada?

O rosa associado ao feminino é uma construção cultural relativamente recente. Não é uma característica biológica da cor, mas uma construção cultural não precisa ser antiga para ser poderosa.

O rosa foi repetido durante décadas em brinquedos, publicidade, roupas, cosméticos, desenhos, embalagens e tantos outros lugares que acabou incorporado ao nosso imaginário coletivo.

Por isso, quando ele aparece em um ambiente historicamente associado à masculinidade, como o futebol profissional, não estamos olhando apenas para uma cor. Estamos olhando para um código e códigos visuais comunicam.

É justamente aí que a chuteira rosa fica mais interessante. Porque a questão não é por que tantos homens estão usando rosa.

A questão é… quem tem permissão para performar o quê?

Vaidade, masculinidade e permissão

Li uma frase durante essa pesquisa que ficou na minha cabeça:

“Homens se apropriando de símbolos associados à feminilidade não os torna automaticamente menos machistas.”

É uma provocação importante.

Usar rosa não significa, por si só, que as relações de gênero mudaram. Um homem pode incorporar elementos considerados femininos à sua aparência e continuar reproduzindo comportamentos machistas.

Mas existe uma outra questão aí: a autorização social.

Durante muito tempo, a vaidade foi uma obrigação feminina. Mulheres foram ensinadas a cuidar da aparência, controlar o corpo, escolher a roupa certa, o cabelo certo, a maquiagem certa. A aparência era parte daquilo que se esperava delas para que fossem consideradas bonitas, desejáveis, adequadas e pertencentes.

Para os homens, a lógica foi outra. A vaidade podia ser opcional. Em determinados contextos, inclusive, poderia colocar em dúvida a própria masculinidade. Isso está mudando. Hoje vemos jogadores de futebol usando bolsas de luxo, joias, roupas cuidadosamente pensadas, acessórios e produtos de beleza. E isso pode ser, sim, uma ampliação das possibilidades estéticas masculinas.

Mas existe uma pergunta que eu considero fundamental:

Essa liberdade está sendo distribuída igualmente?

Porque nunca foi sobre liberdade total de escolha.

Essa liberalidade pra quem pode usar o quê, quem é celebrado por isso e quem precisou lutar para que aquele mesmo código deixasse de ser motivo de ridicularização.

E aí entra a interseccionalidade.

Não basta perguntar se homens podem usar rosa. É preciso observar quais homens, em quais corpos, ocupando quais posições sociais e com quais atributos de poder podem fazer isso sem perder status.

Um jogador de futebol mundialmente famoso usando rosa pode ser celebrado como ousado, moderno e estiloso. Outra homem, em outro contexto, pode receber exatamente o tratamento oposto.

A roupa pode ser a mesma. O significado social não necessariamente é.

E não é qualquer rosa…

Tem ainda uma questão visual que não podemos ignorar. É um rosa muito saturado! A saturação aumenta a presença da cor. Ela facilita a percepção à distância, funciona muito bem na televisão, nas fotografias e nas redes sociais.

É uma excelente escolha para quem quer ser visto. Só existe uma ironia aí… Quando várias marcas escolhem a mesma solução visual, aquilo que inicialmente diferenciava o produto passa a produzir homogeneidade.

A chuteira rosa chama atenção, mas quatro marcas diferentes usando praticamente a mesma linguagem cromática diminuem a capacidade de diferenciação entre elas. A marca perde o protagonismo.

E, quando quase todos os jogadores estão usando rosa, a exceção passa a chamar mais atenção.

Messi, Cristiano Ronaldo e a força da diferenciação

Foi aí que uma coisa começou a gritar aos meus olhos. No meio daquele mar de chuteiras rosas, Messi aparece com uma chuteira azul-claro. Cristiano Ronaldo, com uma dourada. E o olhar vai para eles.

Não porque azul e dourado sejam necessariamente mais chamativos que o rosa. Mas porque são diferentes do padrão dominante. E essa talvez seja uma das melhores lições que a moda pode oferecer.

Tendência não é sinônimo de diferenciação.

Pelo contrário. Quanto mais uma tendência se espalha, maior é a possibilidade de ela deixar de funcionar como elemento de distinção. É por isso que acompanhar tendências não deveria significar simplesmente reproduzi-las.

Tendência serve para nos ajudar a compreender o espírito do tempo. A partir daí, podemos escolher como queremos nos posicionar diante dela. Ou simplesmente não usar. Afinal, quando todo mundo corre para o mesmo lugar, talvez a escolha mais estratégica seja justamente descobrir onde está o seu espaço.

No futebol, isso ficou evidente. As marcas chegaram a conclusões semelhantes e colocaram o rosa em campo. Mas alguns jogadores conseguiram se destacar justamente porque usaram outra cor.

Acredito que discussão sobre as chuteiras rosas seja muito maior do que parece. É sobre cor, mercado, tendência, masculinidade, vaidade, pertencimento, poder e diferenciação.

Porque, em terra de chuteiras rosas…

quem usa chuteira azul ou dourada é rei.

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Broche volta à moda e assume papel estratégico na construção da imagem

O broche voltou ao radar da moda nas últimas temporadas. Presente em passarelas, editoriais e no styling de celebridades, o acessório reaparece como um elemento de destaque nos looks contemporâneos. No entanto, tratá-lo apenas como ornamento é uma leitura limitada do seu potencial dentro da construção imagética.

Na linguagem da moda, o broche pode funcionar como um signo imagético. Ele direciona o olhar, organiza a leitura visual da roupa e contribui para estruturar a narrativa estética de um look. Mais do que decorar, o acessório tem capacidade de intervir na forma como uma peça é percebida e, em alguns casos, até de resolver questões de modelagem.

Um exemplo prático é o uso do broche em um macacão cuja pala apresentava perda de estrutura ao longo do uso. Nessa situação, o acessório foi incorporado não apenas como elemento estético, mas também como solução técnica.

A escolha de um broche reto, com dois pins nas extremidades, não foi aleatória. A peça passou a cumprir a função de estabilizar a pala do macacão, evitando que o tecido cedesse. Ao mesmo tempo, reforçou os ângulos da construção da roupa, alinhando o visual a uma mensagem de retidão e força já sugerida pelo desenho do macacão, mesmo sendo confeccionado em tecido fluido.

O resultado evidencia como pequenos elementos podem alterar significativamente a leitura de uma roupa. Ao corrigir a modelagem, atrair o olhar para um ponto específico e fortalecer a narrativa visual da peça, o broche deixa de ocupar um papel meramente decorativo para assumir uma função estratégica dentro do styling.

Esse tipo de intervenção revela uma dimensão frequentemente negligenciada no uso dos acessórios: a capacidade de organizar visualmente o look e potencializar a comunicação de imagem.

No cenário atual, em que a moda dialoga cada vez mais com identidade e comunicação pessoal, recursos aparentemente simples, como um broche, podem se transformar em ferramentas importantes na construção de uma imagem mais intencional e estratégica.

Como consultora de imagem, observo com frequência que muitas pessoas ainda tratam os acessórios apenas como complemento estético. No entanto, quando compreendemos a moda como linguagem, percebemos que cada elemento do look participa da construção da mensagem que queremos comunicar.

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Estilo Boho: Muito Além do Hippie Chic

Um termo que está em alta nas conversas de moda é o BOHO. Mas será que todo mundo entende, de fato, o que ele representa?

Muita gente associa o boho ao “hippie chic”, o que não está errado , mas a verdade é que esse estilo vai muito além de uma estética dos anos 70. Ele é uma fusão de referências culturais e estéticas que resultam em uma expressão cheia de personalidade.

“Boho” é a abreviação de bohemian, um movimento artístico e cultural do século XIX. Na época, os boêmios viviam à margem das convenções sociais, buscando uma vida mais livre, criativa e autêntica.

Essa liberdade e desapego às normas sempre é incorporada à moda, mas sendo ressignificada a cada geração.

As Influências por Trás do Estilo

O boho contemporâneo é o resultado de um verdadeiro mix de estilos. Ele une elementos de diferentes estéticas:

  • Hippie: tecidos leves, fluidez e um visual despretensioso.
  • Folk: bordados artesanais, franjas e materiais naturais como camurça e tricô.
  • Vintage: peças com referências retrô, geralmente garimpadas em brechós ou com ar de “peça com história”.
  • Gipsy: lenços, maxi acessórios, estampas paisley e uma mistura de cores vibrantes.
  • Western: botas cowboy, chapéus, cintos largos, com estética mais rústica e cores mais terrosas (maarons e beges).

Quais são as peças-chave do Boho?

Se você quer flertar com essa estética no seu guarda-roupa, estas são algumas peças clássicas do boho:

  • Vestidos longos e fluidos
  • Batas bordadas
  • Saias longas e esvoaçantes ou de couro com franjas
  • Franjas… inclusive em bolsas e jaquetas
  • Peças em crochê artesanal
  • Botas diversas
  • Acessórios em prata envelhecida com pedras naturais

Mas atenção… isso não significa que você deva usar tudo ao mesmo tempo ou sair comprando por impulso.

Tendência ou Estilo?

Cabe aqui uma pergunta chave: você quer adotar o boho porque está em alta ou porque ele condiz com o seu estilo?

É aqui que entra a Consultoria de Imagem. O estilo boho pode até ser uma tendência, mas ele só deve entrar no seu armário se fizer sentido para o seu estilo de vida, sua identidade visual e o que você deseja comunicar.

Se você se identifica com o chapéu western, com as franjas do folk, com os comprimentos gipsy ou com os tecidos leves… ótimo! Mas, se não faz sentido para você, não use.

Nâo esqueca que a moda tem o poder de comunicar quem você é. O boho pode ser uma ferramenta de expressão pessoal, mas precisa ser interpretado… e não apenas replicado.

Quer incorporar o boho de forma autêntica ao seu guarda-roupa?

Eu posso te ajudar com isso.

Por meio da Consultoria de Imagem, você descobre o que realmente combina com você… respeitando sua essência, seus objetivos e sua estética pessoal.

Mande uma mensagem e vamos juntas traduzir seu estilo.

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O que será tendência na moda de 2021 até 2030?

O Google e a WGSN, empresa que estuda tendências, juntaram-se para entender quais os caminhos da moda até 2030.

A pandemia mudou a forma que consumimos e isso refletiu na moda, portanto, é perceptível que novos comportamentos foram instalados. Novas necessidades e realidades afetaram, e afetarão, a indústria da moda.

Analisando o citado estudo da WGSN, há cinco relevantes percepções futuras:

1 – A moda cada vez mais será usada a como instrumento para demonstrar a IDENTIDADE das pessoas.

2 – Os consumidores seguirão querendo dialogar com as marcas de moda e, para isso, elas precisarão se posicionar diante de questões sociais, através de informações e CONTEÚDOS.

3 – A diversidade no PROTAGONISMO será cada vez maior. Acabou a época da moda eurocentrizada e cheia de regras. Os grupos antes marginalizados estão sendo valorizados pela indústria da moda: negros, gordos, pessoas mais velhas, praticantes de religiosidades diversas e portadores de deficiências.

4 – Durante muito tempo copiávamos massivamente as roupas de personagens de novelas, atrizes, apresentadoras de TV… elas nos influenciavam. Com a internet, passamos a admirar as blogueiras e seus estilos de vida, que foram se tornando supérfluos e distantes. Essa INFLUÊNCIA será cada vez mais buscada em pessoas próximas e acessíveis. Pessoas com realidades semelhantes.

5 – A mudança na maneira de consumir moda está modificando os NEGÓCIOS de moda. De formas que brechós, reformas (upcycling), costureiras e pequenas empreendedoras crescerão em números e valorização.  

É isso! E vocês? Quais tendências já aderiram por aí?

Este texto foi originalmente postado no Aratu On https://aratuon.com.br/colunista/kikamaia/moda/o-que-sera-tendencia-na-moda-de-2021-ate-2030