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Broche volta à moda e assume papel estratégico na construção da imagem

O broche voltou ao radar da moda nas últimas temporadas. Presente em passarelas, editoriais e no styling de celebridades, o acessório reaparece como um elemento de destaque nos looks contemporâneos. No entanto, tratá-lo apenas como ornamento é uma leitura limitada do seu potencial dentro da construção imagética.

Na linguagem da moda, o broche pode funcionar como um signo imagético. Ele direciona o olhar, organiza a leitura visual da roupa e contribui para estruturar a narrativa estética de um look. Mais do que decorar, o acessório tem capacidade de intervir na forma como uma peça é percebida e, em alguns casos, até de resolver questões de modelagem.

Um exemplo prático é o uso do broche em um macacão cuja pala apresentava perda de estrutura ao longo do uso. Nessa situação, o acessório foi incorporado não apenas como elemento estético, mas também como solução técnica.

A escolha de um broche reto, com dois pins nas extremidades, não foi aleatória. A peça passou a cumprir a função de estabilizar a pala do macacão, evitando que o tecido cedesse. Ao mesmo tempo, reforçou os ângulos da construção da roupa, alinhando o visual a uma mensagem de retidão e força já sugerida pelo desenho do macacão, mesmo sendo confeccionado em tecido fluido.

O resultado evidencia como pequenos elementos podem alterar significativamente a leitura de uma roupa. Ao corrigir a modelagem, atrair o olhar para um ponto específico e fortalecer a narrativa visual da peça, o broche deixa de ocupar um papel meramente decorativo para assumir uma função estratégica dentro do styling.

Esse tipo de intervenção revela uma dimensão frequentemente negligenciada no uso dos acessórios: a capacidade de organizar visualmente o look e potencializar a comunicação de imagem.

No cenário atual, em que a moda dialoga cada vez mais com identidade e comunicação pessoal, recursos aparentemente simples, como um broche, podem se transformar em ferramentas importantes na construção de uma imagem mais intencional e estratégica.

Como consultora de imagem, observo com frequência que muitas pessoas ainda tratam os acessórios apenas como complemento estético. No entanto, quando compreendemos a moda como linguagem, percebemos que cada elemento do look participa da construção da mensagem que queremos comunicar.

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Noite da Aclamação: Raul Seixas como tema, gala como base e os limites da leitura de dress code

A Noite da Aclamação partiu de um direcionamento objetivo: roupas de gala como base somadas a uma homenagem estética a Raul Seixas. Formalidade, ousadia, autenticidade e atitude estavam claramente colocadas como pilares do manifesto visual divulgado pela organização.

O dress code existiu. Foi publicado. Estava acessível. Ainda assim, é possível afirmar que foi pouco lido — e isso gerou ruído.

Em um baile com tema, não basta estar bem vestido. Não basta estar “bonito”. Look precisa de intenção, narrativa e leitura estética. Precisa comunicar.

Parte do público optou por produções corretas do ponto de vista da formalidade, mas genéricas em relação ao conceito. Vestidos de festa apareceram em grande número, porém sem a camada simbólica que conectaria essas peças ao homenageado. Nesse contexto, os acessórios eram o principal instrumento de diferenciação. Quando inexistentes ou mal explorados, os looks permaneceram no óbvio.

Por outro lado, houve participantes que entenderam exatamente o que estava sendo proposto e entregaram imagem, conceito e personalidade.

Zebrinha surgiu elegante, dentro da formalidade exigida, com referências simbólicas bem aplicadas. Os óculos, elemento fortemente associado a Raul Seixas, ampliaram a leitura do look.

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Rafaela Amoreira demonstrou compreensão da proposta. Mesmo utilizando uma cor clara, tradicionalmente menos associada ao universo gala, construiu uma produção coerente com o conceito do evento.

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Dinho Junior, produzido por Filipi, apresentou uma leitura autoral, combinando originalidade e homenagem.

A DJ Vivi, mesmo com a liberdade estética que acompanha sua atuação artística, se posicionou dentro do dress code, respeitando o direcionamento proposto.

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Quando anfitriões estabelecem um conceito, é esperado que também o incorporem em suas escolhas visuais. Entre os dois anfitriões, Leo e Lore, o último look apresentado foi o que mais se aproximou do conjunto de informações descritas nos cards oficiais.

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Entre as madrinhas, todas estavam elegantes. Ainda assim, senti falta de referências mais evidentes ao tema. A exceção foi Rafaela Meccia, que trouxe símbolos claros conectados ao homenageado.

Um dos destaques finais foi um look em renda branca de leitura não óbvia. A renda poderia facilmente conduzir a outras referências estéticas, inclusive ligadas às religiões de matriz africana, mas a combinação entre modelagem e acessórios afastou esse caminho, mantendo a produção dentro da proposta do evento.

A Noite da Aclamação reafirma sua relevância como acontecimento cultural. Ao mesmo tempo, evidencia um ponto importante: dress code não é sugestão. É direcionamento. E direcionamento só funciona quando é lido, compreendido e aplicado.

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Feira na Rosenbaum em Salvador: quando a legitimação vem de fora e o espelho revela mais do que gostaríamos

A primeira edição da Feira Rosenbaum em Salvador, realizada em associação com a Nordestesse e ocupando o Palacete Tira Chapéu, não foi apenas a chegada de uma plataforma nacionalmente consolidada à cidade. Foi um acontecimento simbólico. Para muita gente da cidade, essa foi a primeira vez dentro do Palacete. Para outras tantas, o primeiro contato real com marcas autorais dentro de um contexto legitimado por um grande nome. E esse dado, por si só, carrega um “desconforto”.

A Rosenbaum se define como “um encontro que reúne artistas e designers independentes para levar ao público criações autorais e com identidade brasileira”. Em Salvador, a Feira encontrou uma cidade que produz tudo isso há muito tempo. Então a pergunta inevitável é: o que muda quando essa produção aparece sob um carimbo externo? Muda o fluxo de pessoas. Muda o interesse. Muda o valor atribuído. É nessa modificação que mora a questão.

Entendam… entre as marcas vindas de fora, acessórios como as de The Morais, Bianca Teotônio, Amanda Tartik e Estúdio Greta chamavam atenção não só pela estética, mas pela forma como se apresentavam. Existia um domínio claro de discurso. Materiais, processos e intenções eram comunicados com precisão. Não se vendia apenas o objeto. Vendia-se pensamento. E isso ajuda a desmontar uma fantasia comum: a de que produto autoral simplesmente brota. Não brota. Ele é construído. É fruto de pesquisa, tentativa, erro, ajuste, investimento e, muitas vezes, de um privilégio estrutural que permite tempo de maturação.

Enquanto essas marcas eram recebidas com curiosidade e encantamento, marcas locais igualmente potentes passam muitas vezes despercebidas nesse mesmo espaço de escuta. O trabalho de Junia Machado desenvolve joalheria com identidade consistente e pesquisa estética clara. A DUA, marca soteropolitana com loja física no casarão amarelo do Rio Vermelho, sustenta um ponto fixo de criação autoral em Salvador, algo difícil, e ainda assim permanece fora do radar de muita gente que se deslocou até a Feira.

E aqui é importante ser direta… o problema não é a presença das marcas de fora. Ela é positiva. O problema é o movimento contraditório de quem mora aqui.

Outro exemplo, na moda, os bordados de Alina Amaral comunicam tempo, cuidado e sensibilidade. A Tela, ao unir design contemporâneo e bordados tradicionais, apresenta uma moda que não tenta ser apressada. E isso, hoje, é um posicionamento forte. É exatamente nesse mesmo território de comunicação que atuam marcas locais como Eyde Dantas, que borda palavras, narrativas e memória diretamente nas peças, e Moab, de Feira de Santana, que regionaliza signos com inteligência visual, trocar a sardinha pela petitinga é um gesto simples, mas profundamente simbólico. Moda autoral, nesse contexto, não aparece como tendência. Aparece como linguagem. É a moda como comunicação.

No campo dos objetos e da casa, o colorido da Ceramiquinho e de Maria Gabriela trouxe afeto e calor visual. O Estúdio Libero apresentou peças que extrapolam função e convidam à interpretação. E, em Salvador, a mesma matéria-prima está presente em marcas como Let Marques Cerâmica e Meu Tortinho, que desenvolvem peças com identidade, pesquisa de forma, cor e uso. Sem esquecer que existe um polo cerâmico ancestral em Maragogipinho, com mestres e mestras que sustentam saberes há gerações.

Reconhecer essa importância local é sofisticado. E necessário!

No design gráfico, faço um parêntese autocrítico… eu não conhecia pessoalmente o trabalho do Estúdio Agá, que é baiano. Já havia tido contato com a Crua, também baiana, por meio de uma amiga em comum. Ambas dialogavam, em nível de consistência conceitual, com a Fabrico de Ideias, de Recife, que completou um recorte. Linguagens distintas, mas todas sustentadas por identidade forte e entendimento do design como ferramenta cultural. Esse meu reconhecimento tardio também diz algo.

O que atravessa todas essas camadas é um comportamento recorrente: ainda valorizamos mais quando vem de fora. A Feira na Rosenbaum não cria essa lógica. Ela evidenciou.

O fato de tantas pessoas terem entrado no Palacete Tira Chapéu pela primeira vez por causa da Feira é, ao mesmo tempo, positivo e alarmante. Positivo porque amplia repertório. Alarmante porque expõe que muitos só atravessam certas portas quando existe um grande validador envolvido.

Criação autoral local não pode ser encarada como alternativa periférica. Ela também é base cultural nacional. Se queremos uma cidade com identidade criativa forte, precisamos saber como distribuir nosso olhar e, principalmente, onde colocamos nosso dinheiro.

Marcas locais não podem ser segunda opção, principalmente porque não há sempre grandes eventos. Elas também são o nosso próprio evento. E estão aqui todos os dias.

A Feira na Rosenbaum passou. Agora fica a pergunta… o interesse pelo autoral também passa? Porque nosso repertório não se constrói com visita pontual. Se constrói em permanência.

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Mercado do Tira – Edição Especial de Verão chega a Salvador nesta semana

A partir de hoje, Salvador será palco da terceira edição do Mercado do Tira, evento que integra moda, lifestyle e experiências culturais com foco em marcas autorais e economia criativa. A programação acontece de 15 a 18 de janeiro de 2026, no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico, e promete movimentar o cenário de moda e conteúdo criativo da cidade.

Este ano, o Mercado do Tira apresenta uma seleção de marcas independentes e autorais que atuam com moda feminina, acessórios, beleza, bem-estar, arte e papelaria. Entre os nomes confirmados estão Amará, Aqui Brasil, By Nina Brand, De Tudo Que Eu Vejo, Eyde Dantas, Fê Abbehusen, Guiguirika, Kolombina, Luana Rodrigues, Muzuá Bahia, Plier, Pythia, Soul Seven Club e Ticiana Hoisel.

Durante os quatro dias de evento, o público terá a oportunidade de vivenciar tendências, conhecer coleções autorais e interagir diretamente com os criadores, fortalecendo a cultura de consumo consciente e o protagonismo de talentos locais e nacionais.

Como parte da programação especial, o evento também inclui a Experiência K-Day, uma ação que promove imersão na cultura sul-coreana com oficinas de lettering coreano, atividades temáticas, momentos gastronômicos e vivências criativas. A experiência acontece no dia 17 de janeiro, das 13h às 17h, no piano-bar do Palacete Tirachapéu, com inscrições disponíveis mediante contribuição de R$ 120.

Serviço:
📍 Local: Palacete Tirachapéu – Rua Chile, Centro Histórico – Salvador (BA)
📅 Data: 15 a 18 de janeiro de 2026
⏱️ Horário: programação contínua ao longo dos dias do evento
🎟️ Entrada: gratuita (Experiência K-Day com inscrição opcional)

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Reposicionamento de Imagem Profissional: quando estilo e estratégia se encontram

No ambiente corporativo contemporâneo, onde a imagem comunica antes da palavra, reposicionar-se visualmente é mais do que uma questão estética, é uma decisão estratégica. A forma como nos apresentamos, tanto presencialmente quanto nas redes, influencia diretamente a forma como somos percebidos e, consequentemente, as oportunidades que alcançamos.

Foi com essa perspectiva que conduzi recentemente um processo de escolha dos looks para o Reposicionamento de Imagem Profissional, envolvendo Análise de Estilo, Personal Shopper e Ensaio Fotográfico. Cada etapa foi pensada para traduzir visualmente a identidade da cliente, alinhando propósito, estilo e posicionamento de carreira.

Da análise ao ensaio: cada etapa comunica

O ponto de partida foi a Análise de Estilo, momento em que mergulhamos na essência da cliente… seus valores, objetivos e contexto profissional. A intenção é compreender quem ela é e como deseja ser percebida, para construir uma narrativa visual coerente com essa transição.

Na sequência, o Personal Shopper funcionou como um verdadeiro laboratório de percepção. Mais do que comprar roupas, esse processo estimula um olhar crítico sobre qualidade, caimento, funcionalidade e mensagem. Cada escolha reforça a autoridade e o profissionalismo que a cliente busca comunicar.

Por fim, o ensaio fotográfico fecha o ciclo: traduz em imagem o novo posicionamento. Postura, gestual e composição visual consolidam o reposicionamento não apenas como mudança de guarda-roupa, mas como reposicionamento de identidade.

Imagem é gestão de percepção

Reposicionar-se profissionalmente não é apenas atualizar o visual… é reposicionar a narrativa! É compreender que a imagem é um ativo estratégico, capaz de abrir portas, gerar conexões e sustentar autoridade.

No mercado atual, em que a presença digital é extensão da carreira, investir na própria imagem é investir em credibilidade e coerência. Quando o visual comunica a mensagem certa, o resultado é impacto, reconhecimento e clareza de propósito.

Precisamos tomar cuidado com os “ruídos”, símbolos comunicam e quando usados de forma errada geram um impacto negativo.

A imagem como mensagem

Reposicionar a imagem profissional é, essencialmente, alinhar quem você é ao que o mercado precisa enxergar. É sobre autenticidade, mas também sobre estratégia.

A boa comunicação imagética não segue modismos, ela respeita a trajetória e o momento de cada profissional. É um processo de autoconhecimento aplicado à imagem, capaz de transformar percepções e reposicionar carreiras.

Quer reposicionar sua imagem de forma estratégica e coerente?
Agende sua Consultoria Completa e transforme sua identidade em uma mensagem poderosa.

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Semana Fashion Revolution Salvador 2025: moda ativista, ação coletiva e propósito

Mais uma vez, Salvador se conecta a um movimento global poderoso que pulsa propósito e consciência. De 22 a 26 de abril, a nossa cidade será palco da Semana Fashion Revolution Salvador 2025… uma programação que convida a pensar, sentir e agir por uma moda mais ética, transparente e responsável.

A mobilização parte do Fashion Revolution Brasil, que atua para ampliar o acesso à informação e engajar a sociedade em ações concretas por uma moda mais justa. E é a partir desse chamado que a rede local se articula e coloca a mão na massa… reunindo representantes, consumidoras, costureiras, criadoras, comunicadoras, estudantes, empreendedoras e pesquisadoras que acreditam na moda como ferramenta de transformação social.

E pra mim tem um gosto especial acompanhar tudo isso admirando o trabalho da amiga Ana Fernanda, com quem aprendi tanto sobre esses temas… Ela representa o movimento aqui em Salvador e é consultora de comunicação e pesquisadora em moda e sustentabilidade, com uma trajetória marcada pelo engajamento em pautas sociais e ambientais. Com sensibilidade e firmeza, ela e Marina de Luca têm articulado ações fundamentais para tornar o movimento cada vez mais plural e acessível na nossa cidade.

Confira a programação completa e vem com a gente fortalecer essa rede que costura futuro com afeto, consciência e responsabilidade…

OFICINA DE REAPROVEITAMENTO TÊXTIL
Quando: 22 e 23 de abril | 9h às 11h30 e 13h às 16h
Onde: Loja Humana – Piedade
Oficina prática para quem deseja transformar resíduos têxteis em novas possibilidades de uso. Ideal para iniciantes e entusiastas do upcycling.

BATE-PAPO | Diversidade, equidade e pertencimento na moda
Quando: 23 de abril | 17h
Onde: Faculdade de Comunicação da UFBA – Sala 5 – Ondina
Com: Sillas Filgueira, Dellamora Luz Kieva e Maruaia Castro.
Reflexão urgente sobre os corpos e vozes que são (ou não) incluídos no discurso da moda.

BATE-PAPO | Abadás como resíduos têxteis no Carnaval
Quando: 24 de abril | 18h às 20h
Onde: Laje da SECIS – Rua da Grécia, 14 – Comércio
Com: Ivan Euller (Secis), Hilza Cordeiro (Repense Reuse/Humana Brasil), Dija Costa (Milieco), Loyola Neto (Ecoloy/Liga do Bem), Carlos Viana Neto (Sotero Ambiental) e Projeto Refoliar.
Mediação: Marina de Luca (Fashion Revolution)
Um olhar crítico sobre a cadeia de consumo e descarte gerada por um dos maiores eventos culturais do Brasil.

Inscrições gratuitas pelo Sympla: Clique aqui

JORNADA FASHION REVOLUTION 2025 | QUE MODA CIRCULAR PODEMOS TER?
Quando: 25 de abril | 8h30 às 12h30
Onde: Auditório da Unifacs – Campus Tancredo Neves
Inscrições gratuitas pelo Sympla: Clique aqui

Realização do Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura (UFRB/CNPq), com apoio da Unifacs, Pós-Cultura/UFBA e PPGCOM/UFRB. A jornada propõe um olhar crítico sobre os impactos das cadeias da moda e joalheria, estimulando soluções viáveis e conscientes.

Destaques da programação:

  • Abertura com a Profa. Renata Pitombo Cidreira
  • Mesa “Moda circular na prática: do descarte ao reuso”, com Aline Veiga, Larissa Iten e mediação de Mônica Rocha
  • Mesa “Re-pensando a materialidade na joalheria responsável”, com Ana Beatriz Simon, Leila da Cruz, Márcia Ceres e Débora Miscow; mediação de Gina Reis

DIA DA MANUALIDADE | ENCERRAMENTO DA SEMANA
Quando: 26 de abril | 13h às 17h
Onde: Museu de Arte da Bahia – Área externa
Uma tarde de trocas, saberes manuais e conexões reais com a moda local.

Programação:

  • Abertura com Yoga – Tarsila Ferreira
  • Oficina de upcycling – Sônia Bastos e Micaele Santos
  • Plantão de consertos de roupas
  • Construção de bonecas de tecido – As Fadas Bordadeiras
  • Bate-papo Fashion Revolution – Ana Fernanda Souza e Marina de Luca
  • Oficina de estamparia – Rafaela Monteiro
  • Oficina de joias com material descartado – Bia Simon
  • Bazar de trocas final

Pense global, aja local: quem é o Brasil na revolução da moda?
Essa é a pergunta que guia a Semana Fashion Revolution 2025 em todo o país — e aqui em Salvador, a resposta vem em forma de ação coletiva, crítica social e construção de futuros possíveis.

Participe. Divulgue. Construa. Essa revolução também é sua.

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Estilo Boho: Muito Além do Hippie Chic

Um termo que está em alta nas conversas de moda é o BOHO. Mas será que todo mundo entende, de fato, o que ele representa?

Muita gente associa o boho ao “hippie chic”, o que não está errado , mas a verdade é que esse estilo vai muito além de uma estética dos anos 70. Ele é uma fusão de referências culturais e estéticas que resultam em uma expressão cheia de personalidade.

“Boho” é a abreviação de bohemian, um movimento artístico e cultural do século XIX. Na época, os boêmios viviam à margem das convenções sociais, buscando uma vida mais livre, criativa e autêntica.

Essa liberdade e desapego às normas sempre é incorporada à moda, mas sendo ressignificada a cada geração.

As Influências por Trás do Estilo

O boho contemporâneo é o resultado de um verdadeiro mix de estilos. Ele une elementos de diferentes estéticas:

  • Hippie: tecidos leves, fluidez e um visual despretensioso.
  • Folk: bordados artesanais, franjas e materiais naturais como camurça e tricô.
  • Vintage: peças com referências retrô, geralmente garimpadas em brechós ou com ar de “peça com história”.
  • Gipsy: lenços, maxi acessórios, estampas paisley e uma mistura de cores vibrantes.
  • Western: botas cowboy, chapéus, cintos largos, com estética mais rústica e cores mais terrosas (maarons e beges).

Quais são as peças-chave do Boho?

Se você quer flertar com essa estética no seu guarda-roupa, estas são algumas peças clássicas do boho:

  • Vestidos longos e fluidos
  • Batas bordadas
  • Saias longas e esvoaçantes ou de couro com franjas
  • Franjas… inclusive em bolsas e jaquetas
  • Peças em crochê artesanal
  • Botas diversas
  • Acessórios em prata envelhecida com pedras naturais

Mas atenção… isso não significa que você deva usar tudo ao mesmo tempo ou sair comprando por impulso.

Tendência ou Estilo?

Cabe aqui uma pergunta chave: você quer adotar o boho porque está em alta ou porque ele condiz com o seu estilo?

É aqui que entra a Consultoria de Imagem. O estilo boho pode até ser uma tendência, mas ele só deve entrar no seu armário se fizer sentido para o seu estilo de vida, sua identidade visual e o que você deseja comunicar.

Se você se identifica com o chapéu western, com as franjas do folk, com os comprimentos gipsy ou com os tecidos leves… ótimo! Mas, se não faz sentido para você, não use.

Nâo esqueca que a moda tem o poder de comunicar quem você é. O boho pode ser uma ferramenta de expressão pessoal, mas precisa ser interpretado… e não apenas replicado.

Quer incorporar o boho de forma autêntica ao seu guarda-roupa?

Eu posso te ajudar com isso.

Por meio da Consultoria de Imagem, você descobre o que realmente combina com você… respeitando sua essência, seus objetivos e sua estética pessoal.

Mande uma mensagem e vamos juntas traduzir seu estilo.

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Goya Lopes no MAM-BA: quando o tecido é arte e memória

Hoje vivi uma emoção difícil de colocar em palavras. Fui à abertura da exposição “Okòtò: Espiral da evolução”, de Goya Lopes, no Museu de Arte Moderna da Bahia. E confesso: saí de lá profundamente tocada.

Goya sempre foi uma referência pra mim, mesmo antes de eu entender o que era moda. Há 25 anos, quando ainda trabalhava no aeroporto, eu passava na frente da loja onde seus tecidos estavam expostos… e parava. Encantada! Era como se aqueles panos me contassem histórias que eu ainda não sabia ler. Na época, eu nem imaginava que um dia trabalharia com moda. Mas Goya já me impactava, já me ensinava… silenciosamente.

Quando mergulhei nos estudos, compreendi o que meu olhar já intuía: Goya Lopes não é apenas estilista… é artista, é pensadora e é patrimônio vivo. Seu trabalho ultrapassa a estética. Seus tecidos são registros de memória, identidade e resistência. Ela entrelaça saberes ancestrais com linguagem contemporânea e transforma tudo em experiência cultural.

A exposição no MAM é um reconhecimento justo e necessário. Com mais de 50 anos de trajetória, Goya nos entrega uma mostra que reúne pinturas, gravuras, tecidos e uma instalação potente com fragmentos de sua produção têxtil. Uma verdadeira imersão no universo criativo de uma mulher que construiu um repertório visual profundamente ligado à cultura afro-brasileira e à história da moda baiana.

Sinto orgulho, reverência e gratidão por poder ver essa artista sendo celebrada como merece. E recomendo fortemente a visita.

A exposição está aberta no MAM-BA, a partir de amanhã, 9 de abril.
A curadoria é cuidadosa, o acervo é emocionante e a presença de Goya, mesmo em silêncio, ocupa cada canto da sala.

A moda é também sobre contar histórias e Goya é um capítulo essencial. (Emocionada!)

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4 Influenciadoras Inspiradoras na Moda

4 Influenciadoras Que Me Inspiram na Moda – E Por Que Você Precisa Conhecê-las!

Hoje quero compartilhar algumas influenciadoras que me inspiram aqui no Instagram.

Cada uma delas traz uma perspectiva única sobre moda: seja desafiando padrões, resgatando ancestralidade, inovando com criatividade ou trazendo novas formas de se expressar através das roupas.

@tephmarques — Mostra que moda é para todos os corpos, trazendo um olhar especial para quem tem uma estatura fora do padrão.

@estilodudaborges — Da Amazônia para o mundo, ela une história, ancestralidade indígena e maximalismo de um jeito incrível.

@roz_creativestylist — Com estilo clássico, ela usa criatividade para reinventar peças tradicionais, provando que moda e idade não têm limite.

@laurabrito — Além de vestir, ela cria! Com a máquina de costura, transforma peças e valoriza suas raízes nordestinas com muita autenticidade.

Essas são algumas das minhas inspirações! A ideia desse post surgiu quando uma amiga me perguntou que conteúdo eu consumia e me inspirava.

E você? Indica alguma produtora de conteúdo? Quem tem te ajudado a ver moda por outras perspectivas? Já se perguntou?

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Da Paris Fashion Week ao Grammy: O Conflito entre Restrição e Exposição do Corpo da Mulher na Moda Atual

Durante a última edição da Paris Fashion Week, as passarelas de Schiaparelli, Valentino e Dior apresentaram coleções que, embora inspiradas em estéticas do passado, reproduzem um modelo de vestuário que, longe de celebrar a liberdade, se caracteriza por estruturar rigidamente os corpos das mulheres.

Em vez de proporcionar conforto ou autonomia, os looks – com cortes e modelagens reminiscente de tempos em que o corpo feminino era rigidamente controlado – restringem movimentos e impõem uma estética que subordina a figura da mulher a padrões tradicionais.

Ao ver o uso de barbatanas em corselets, anquinhas e peças estruturadas, fui remetida à exposição El Cuerpo Vestido, que visitei no Museu de Design de Barcelona. A mostra foi um verdadeiro choque de realidade, apresentando trajes e estruturas de madeira que ilustravam os volumes e formatos do corpo idealizado para as mulheres em diferentes épocas. Historicamente, o vestuário feminino foi sistematicamente concebido para impor restrições, funcionando muitas vezes como uma ferramenta de controle social, em vez de promover a emancipação.

Comparando esse cenário da Paris Fashion Week com períodos passados, é possível notar que, mesmo diante de avanços na luta contra o patriarcado, a moda, em diversos momentos, recorre a referências históricas para retomar práticas de contenção e limitação. Seria esse o espírito do nosso tempo? O atual Zeitgeist?

Na mesma semana, a aparição de Kanye West ao lado de Bianca Censori reforçou esse debate. O rapper, conhecido por suas intervenções polêmicas, frequentemente utiliza os corpos femininos – expostos e transformados em meros acessórios para sua própria narrativa – como instrumento para demonstração do seu poder. Essa postura, longe de romper com antigas demonstrações de dominação, revela uma continuidade inquietante: os corpos das mulheres seguem sendo manipulados para servir a interesses que restringem sua verdadeira liberdade e conforto.