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Abadás e a Reflexão sobre Moda Consciente no Carnaval

Já parou para refletir sobre o uso dos abadás nos camarotes? Este assunto vai muito além do resíduo têxtil; ele envolve questões ambientais, sociais e culturais, que merecem nossa atenção. Basta ter um olhar mais amplo e interseccional.

Recentemente, ao ver os Reels de Henri Barbosa, @henri.barb, e André Carvalhal, @carvalhando, com Ana Rodrigues, @a.ana.rodrigues, comecei a refletir mais profundamente sobre o papel dos abadás, especialmente no Carnaval de Salvador. O abadá sempre foi uma peça de vestuário festivo que revelava distinção social e, talvez, até exclusão. Dependendo do abadá de determinado bloco que você estava vestindo, você era visto e tratado de maneiras diferentes.

E hoje? Será que isso mudou? Sob o meu olhar, os abadás sempre foram elementos de distinção social, e com o crescimento dos camarotes, essa questão se intensificou.

Com isso, cabe a pergunta: todos os corpos têm a mesma oportunidade de customizar essas peças? A customização dos abadás, que se tornou quase um ritual no Carnaval, é um reflexo claro da busca por individualidade e status, mas nem todo corpo tem esse direito.

Surge ainda outra questão: o dinheiro da customização não seria uma forma de valorizar e gerar renda para as costureiras e pequenos ateliês locais? Será que, ao reformarmos mais nossas roupas e consumirmos menos, poderíamos estimular essa economia criativa e sustentável durante o ano inteiro?

E o que acontece com os resíduos da personalização dos abadás e o impacto disso na cadeia produtiva?

Quando fui pegar minha camisa do Viva Bahia, tive a oportunidade de conhecer o projeto Refoliar, uma iniciativa de duas empreendedoras que transforma as sobras têxteis dos abadás descartados em mochilas escolares para estudantes da rede pública de ensino. Uma proposta de reaproveitamento das peças que, além de minimizar o impacto ambiental, gera um impacto social positivo, contribuindo com a educação de crianças e jovens.

Além disso, a colaboração do @camexpresso2222 com a Riachuelo, utilizando algodão orgânico da agricultura familiar, mostra uma outra faceta da moda consciente. Essa parceria promove o uso de matérias-primas sustentáveis, valorizando a produção local e ajudando a diminuir os danos ambientais causados pelo consumo de tecidos convencionais.

E a inovação não para por aí: o @camarotebrown decidiu eliminar os abadás de vez, optando apenas por pulseiras de acesso, um modelo mais sustentável e inclusivo, que pode inspirar outras iniciativas no setor de eventos.

Essas ações podem realmente mudar a forma como consumimos moda no Carnaval? Será possível criar um movimento de moda consciente no maior evento do país, respeitando a individualidade, o meio ambiente e a valorização das costureiras?

Acredito que esse debate foi aberto e vale a pena aprofundarmos ainda mais… o planeta e a vida agradecem.

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Met Gala 2025: A Elegância e Resistência do Estilo Negro no Centro dos Holofotes

Met Gala 2025 já tem seu tema definido, e ele promete trazer uma forte valorização da cultura e identidade negra. O dress code deste ano, anunciado pelo Metropolitan Museum of Art de Nova York, será “Tailored for You” (Feito Sob Medida para Você), acompanhando a abertura da exposição “Superfine: Tailoring Black Style” (Impecável: Moldando o Estilo Negro), que estreia no dia 5 de maio.

A exposição, revelada pela Vogue ainda em outubro de 2024, tem como foco o Black Dandyism, um movimento histórico que ressignificou elementos da moda europeia, transformando-os em uma expressão de identidade, resistência e sofisticação para homens negros. De acordo com o acervo Primeiros Negros, essa estética representava muito mais do que elegância—era um posicionamento político contra o racismo e os estereótipos, desafiando a opressão através do vestuário. Pela primeira vez, o Met Gala coloca esse legado no centro das atenções.

A exposição estará em cartaz de maio a outubro e reunirá peças icônicas, fotografias, obras de arte, textos históricos e artefatos, trazendo uma abordagem inédita para a moda masculina—tema que não recebia tanto destaque desde a mostra “Men in Skirts”, em 2003. O conceito é inspirado no livro da curadora convidada Monica L. MillerSlaves to Fashion: Black Dandyism and the Styling of Black Diasporic Identity (2009), referência essencial para compreender o impacto do dândi negro na moda e na sociedade.

Dividida em 12 seções, a exposição explorará diferentes aspectos desse estilo, como Propriedade, Presença, Distinção, Disfarce, Liberdade, Campeão, Respeitabilidade, Jook (um espaço de lazer e celebração), Patrimônio, Beleza, Cool e Cosmopolitismo.

Conhecido como a “maior noite da moda”, o Met Gala arrecada fundos para o Metropolitan Museum of Art na tradicional primeira segunda-feira de maio, reunindo grandes nomes da moda e do entretenimento. Este ano, o evento contará com Lewis Hamilton, A$AP Rocky e Pharrell Williamscomo co-anfitriões, garantindo um red carpet que promete ser memorável.

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Pop-Up de Verão no Palacete Tira Chapé: moda, arte e experiências exclusivas!

Palacete Tira Chapé, um dos espaços mais charmosos de Salvador, recebe sua Pop-Up de Verão, reunindo marcas autorais que são referência em estilo e criatividade. De 4 a 22 de fevereiro, o primeiro andar do casarão se transforma em um ponto de encontro para quem valoriza moda, arte e experiências únicas. O evento acontece das 12h às 20h, com fechamento às segundas-feiras.

Depois do sucesso da Pop-Up de Natal, a iniciativa retorna em parceria com Andrea Velame, Nathália Velame e IDEAH, trazendo uma curadoria exclusiva de talentos nacionais e internacionais. Entre os destaques estão Cristalli, Fause Haten Joias, Ju Penedo, Kolombina, Luana Rodrigues, Miranda, Petrucci Roma, Pythia, Su Misura, Usina de Arte e Victoria Faco, oferecendo desde moda e acessórios até experiências imperdíveis.

Mais do que um evento, a Pop-Up de Verão é um convite para celebrar a criatividade e a identidade da moda contemporânea em um cenário histórico. Se você busca peças exclusivas e quer viver a moda de forma autêntica, esse é o lugar para estar!

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Da Paris Fashion Week ao Grammy: O Conflito entre Restrição e Exposição do Corpo da Mulher na Moda Atual

Durante a última edição da Paris Fashion Week, as passarelas de Schiaparelli, Valentino e Dior apresentaram coleções que, embora inspiradas em estéticas do passado, reproduzem um modelo de vestuário que, longe de celebrar a liberdade, se caracteriza por estruturar rigidamente os corpos das mulheres.

Em vez de proporcionar conforto ou autonomia, os looks – com cortes e modelagens reminiscente de tempos em que o corpo feminino era rigidamente controlado – restringem movimentos e impõem uma estética que subordina a figura da mulher a padrões tradicionais.

Ao ver o uso de barbatanas em corselets, anquinhas e peças estruturadas, fui remetida à exposição El Cuerpo Vestido, que visitei no Museu de Design de Barcelona. A mostra foi um verdadeiro choque de realidade, apresentando trajes e estruturas de madeira que ilustravam os volumes e formatos do corpo idealizado para as mulheres em diferentes épocas. Historicamente, o vestuário feminino foi sistematicamente concebido para impor restrições, funcionando muitas vezes como uma ferramenta de controle social, em vez de promover a emancipação.

Comparando esse cenário da Paris Fashion Week com períodos passados, é possível notar que, mesmo diante de avanços na luta contra o patriarcado, a moda, em diversos momentos, recorre a referências históricas para retomar práticas de contenção e limitação. Seria esse o espírito do nosso tempo? O atual Zeitgeist?

Na mesma semana, a aparição de Kanye West ao lado de Bianca Censori reforçou esse debate. O rapper, conhecido por suas intervenções polêmicas, frequentemente utiliza os corpos femininos – expostos e transformados em meros acessórios para sua própria narrativa – como instrumento para demonstração do seu poder. Essa postura, longe de romper com antigas demonstrações de dominação, revela uma continuidade inquietante: os corpos das mulheres seguem sendo manipulados para servir a interesses que restringem sua verdadeira liberdade e conforto.

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Noite da Aclamação: Quando o Dress Code Celebra a Moda Baiana

E quando o dress code vai além da estética e se torna uma afirmação de respeito, criatividade e valorização da moda autoral baiana? Foi exatamente essa a proposta da Noite da Aclamação, que reuniu talento, identidade e sofisticação em uma celebração inesquecível.

Os looks da noite foram um verdadeiro desfile de arte e representatividade, com estilistas locais imprimindo sua assinatura única nos convidados. O resultado? Produções impactantes que reafirmam a potência da moda baiana.

Os anfitriões deram o tom de criatividade: Leo Santana (@leosantana) e Lore Improta (@loreimprota) brilharam em criações da Meninos Rei (@meninosrei), marca que também vestiu Vivian Amorim (@amorimvivian) . Mais tarde, Lore encantou com um vestido branco assinado pelo Ateliê Mão de Mãe (@ateliemaodemae), enquanto Leo se destacou em uma blusa de crochê vermelho, também da marca.

O mestre da palha, Ed Carlos (@ed_cdesign), vestiu a influenciadora Laura Brito (@laurabrito) com um vestido estruturado formando ondas, um verdadeiro espetáculo de design e artesania. Na coletiva de imprensa, Lore também escolheu um look assinado por ele, reforçando a riqueza dos trabalhos artesanais baianos.

O talento de Inttuí (@inttui_), de Wash (@washcarvalhoo) , foi destaque nos visuais impecáveis de Lucas Pizane, Giovana Lima, Alesson, Fábio e Uran, enquanto Monica Anjos (@marcamonicaanjos) trouxe sua força criativa para a apresentadora Val Benvindo (@valbenvindo) .

Ateliê Mão de Mãe, de Patrick (@patrickfortuna) e Vini, (@vinisantan_a), também vestiu Rafaela Moreira, reafirmando sua identidade vibrante e cheia de personalidade.

Cada look escolhido para a Noite da Aclamação reforça o poder da moda como expressão de cultura e identidade. Mais do que um evento, uma reverência ao talento e à riqueza da criação baiana!

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Exposição inédita no Museu do Louvre explora a história da moda da Europa

Pela primeira vez, o Louvre abre suas portas para uma mostra dedicada à moda, com peças de marcas icônicas como Chanel e Balenciaga, criadas entre 1960 e 2025, mas que dialogam com diferentes períodos históricos.

Se visitar todo o Louvre já exige tempo (estima-se que seriam necessárias 105 horas para explorar todas as suas obras), agora os apaixonados por moda terão mais um motivo para se demorar. A exposição “Louvre Couture: Objets d’art, objets de mode” foi inaugurada na última sexta-feira, ocupando 9 mil metros quadrados do maior e mais visitado museu do mundo.

Curada por Olivier Gabet, diretor do departamento de Objetos de Arte do Louvre, e com cenografia assinada por Nathalie Crinière, a mostra reúne 71 silhuetas e cerca de 30 acessórios de grandes nomes como Dior, Givenchy, Chanel e Balenciaga. As peças, que vão do luxo contemporâneo à inspiração histórica, traçam um diálogo entre moda, arte e design.

O percurso começa com criações em ouro, marfim e pedras preciosas que remetem à Idade Média, avança pelo Renascimento e chega ao século XIX, com roupas exibidas nos apartamentos de Napoleão III. Entre os destaques está um casaco desenhado por Karl Lagerfeld para a Chanel em 2019, inspirado em uma cômoda do século XVIII criada por Mathieu Criaerd.

Para Laurence des Cars, diretora do museu, a exposição revela como a moda se conecta profundamente com as artes decorativas e os objetos de arte. “Essa apresentação nos permite ver novas perspectivas de algumas das maiores obras-primas do Louvre, do período bizantino ao século XIX, reinterpretadas pelo olhar dos criadores contemporâneos.”

A exposição fica em cartaz até 21 de julho, e os ingressos custam 22€. As entradas podem ser adquiridas online.

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Arte, Cultura e Estilo: Um Encontro de Conexão Com A Potência de Exu de Alberto Pitta na Casa Arara de Verão

É um privilégio imenso estar diante de obras de Alberto Pita, artista plástico contemporâneo baiano, cuja arte carrega tanta ancestralidade, força e significado. Cada detalhe é um convite para refletir sobre a potência da cultura afro-brasileira e sua importância.

Apesar de não ser conhecedora das religiões de matriz africana, me interesso pela riqueza cultural que elas carregam. Posso estar errada, mas entendi que Exu, representado nessa obra, é movimento, transformação e abertura de caminhos. Acredito que quanto mais conhecemos culturas diversas, menos espaço damos aos preconceitos e mais abertos nos tornamos para o diálogo.

Laroyê, Exu! Que sua presença nos guie em caminhos de conexão, aprendizado e transformação.

Sobre o look… Esse conjunto já me acompanhou em várias ocasiões! Vocês já o viram por aqui em diferentes propostas, sempre com uma terceira peça ou acessórios que renovam completamente a composição. Ontem, decidi simplificar: nem bolsa levei!

O truque de estilo da vez foi a sandália amarrada por cima da calça. Isso trouxe um ar mais casual para a pantalona e, ao mesmo tempo, permitiu que eu usasse uma sandália rasteira sem que a barra da calça atrapalhasse enquanto eu dançava.

E aí, o que acharam dessa ideia? E do look?

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A Mensagem Oculta nos Looks de Melania Trump: Moda, Poder e Polêmicas

O chapéu de Melania Trump chamou a atenção pela forma como criou um distanciamento entre ela e o seu marido. Isso nos leva a refletir sobre a influência que uma peça de roupa pode ter na linguagem corporal.

Historicamente, o chapéu é um acessório funcional, utilizado como proteção, mas cada modelo carrega uma mensagem distinta. Alguns modelos, por exemplo, podem adicionar status social ao look.

No caso de Melania, o chapéu ocultou seu olhar, limitando sua comunicação visual e restringindo o acesso às suas emoções.

look de Melania, como um todo, nos leva a debater os símbolos da moda e seus impactos visuais.

Sobre a cor…

Ao optar por um alto contraste entre o off-white e o azul-marinho escuro, Melania causou uma percepção visual marcante. O azul-marinho, opaco, escuro e neutro, transmitiu sobriedade e seriedade.

Sobre o design…

A modelagem do sobretudo apresentou:

Linhas retas, que comunicam retidão e assertividade;

Pontas, que evocam uma sensação de risco, sendo percebidas como uma estrutura ameaçadora que desencoraja aproximação.

Essa escolha também se reflete no modelo do sapato: um scarpin de salto altíssimo, que simboliza controle e equilíbrio, evidenciado pela postura de Melania.

Sobre o tecido…

O tecido rígido, com fios grossos para garantir maior aquecimento, conferiu estrutura à peça, tornando-a firme e bem definida. Essa rigidez limitou a movimentação e eliminou qualquer sobra de tecido, proporcionando um ajuste preciso ao corpo. Melania vestiu uma peça produzida exclusivamente para ela, o que exigiu planejamento e antecedência.

Ao comparar o look da posse de 2017 com o de 2025, observa-se que o primeiro trouxe cores claras e linhas sinuosas, comunicando uma imagem mais acessível. Isso contrasta fortemente com as características visuais do look de 2025, que enfatizam distância, rigidez e autoridade.

A escolha de Melania reflete intencionalidade!

Todo o look revela um alinhamento coerente com as ideias que seu marido apresentou no discurso de posse para o atual governo.

Motivações passadas

Não é a primeira vez que Melania usa a moda com motivação. No passado, ela já protagonizou polêmicas fashions.

Em 2018, na sua primeira viagem oficial ao Quênia, Melania usou um chapéu branco redondo, modelo considerado simbólico, pois era associado aos exploradores europeus durante o período colonial.

Já em 2020, ao visitar crianças imigrantes no Texas, Melania vestiu uma parca com a frase “I really don’t care. Do u?” (“Eu realmente não ligo. Você liga?”). Na ocasião, ela afirmou que sempre escolhe suas roupas, reforçando a intenção por trás de cada peça usada.

E você? Quanta intencionalidade está colocando nos seus looks?

Que tal usar a moda para expressar quem você realmente é?

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Dona Fulô e Outras Joias Negras… vá!

Você já pensou em aprender moda e história ao mesmo tempo enquanto faz um belo passeio? E aqui vale a pergunta… quantas vezes você vai ao museu durante o ano?

A exposição ‘Dona Fulô e Outras Joias Negras’ me transportou para o passado, mostrando como as joias de crioula eram muito mais que acessórios. Era poder, era resistência!

Para mim, a moda vai muito além das tendências. É sobre entender os significados por trás das peças, os símbolos e a história que elas carregam.

Ela teve a curadoria feita por Carol Barreto, Eneida Sanches e Marília Panitz. Conta com obras de 22 artistas baianos contemporâneos e a rica coleção do baiano Itamar Musse faz parte da exposição.

E você, já teve a chance de visitar essa exposição?

Se ficou interessado ela estará no Museu de Arte Contemporânea até o dia 16 de fevereiro de 2025.

O que: exposição “Dona Fulô e Outras Joias Negras”
Quando: de 7 de novembro de 2024 a 16 de fevereiro de 2025. Terça a domingo, das 10 às 20h.
Onde: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC) – Endereço: Rua da Graça, nº 284, Graça, Salvador (BA)

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Moda nas Olimpíadas

Se moda não importasse, o barrete frigio usado pelos insurgentes na revolução francesa não teria se tornado símbolo da liberdade e mascote da atual olimpíada na França.

Outra prova sobre a importância da moda foi look do porta bandeira da delegação palestina. A camisa estava bordada com mísseis em um dia ensolarado atingindo crianças. Ele não perdeu a oportunidade de comunicar o que está acontecendo no seu país.

E os collants da ginástica artística? Eles viraram pauta e podem elevar a segurança e autoestima das atletas.

Moda importa! Moda é sobre política e narrativa de imagem, seja individual ou coletiva.

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Kika Maia
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