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Broche volta à moda e assume papel estratégico na construção da imagem

O broche voltou ao radar da moda nas últimas temporadas. Presente em passarelas, editoriais e no styling de celebridades, o acessório reaparece como um elemento de destaque nos looks contemporâneos. No entanto, tratá-lo apenas como ornamento é uma leitura limitada do seu potencial dentro da construção imagética.

Na linguagem da moda, o broche pode funcionar como um signo imagético. Ele direciona o olhar, organiza a leitura visual da roupa e contribui para estruturar a narrativa estética de um look. Mais do que decorar, o acessório tem capacidade de intervir na forma como uma peça é percebida e, em alguns casos, até de resolver questões de modelagem.

Um exemplo prático é o uso do broche em um macacão cuja pala apresentava perda de estrutura ao longo do uso. Nessa situação, o acessório foi incorporado não apenas como elemento estético, mas também como solução técnica.

A escolha de um broche reto, com dois pins nas extremidades, não foi aleatória. A peça passou a cumprir a função de estabilizar a pala do macacão, evitando que o tecido cedesse. Ao mesmo tempo, reforçou os ângulos da construção da roupa, alinhando o visual a uma mensagem de retidão e força já sugerida pelo desenho do macacão, mesmo sendo confeccionado em tecido fluido.

O resultado evidencia como pequenos elementos podem alterar significativamente a leitura de uma roupa. Ao corrigir a modelagem, atrair o olhar para um ponto específico e fortalecer a narrativa visual da peça, o broche deixa de ocupar um papel meramente decorativo para assumir uma função estratégica dentro do styling.

Esse tipo de intervenção revela uma dimensão frequentemente negligenciada no uso dos acessórios: a capacidade de organizar visualmente o look e potencializar a comunicação de imagem.

No cenário atual, em que a moda dialoga cada vez mais com identidade e comunicação pessoal, recursos aparentemente simples, como um broche, podem se transformar em ferramentas importantes na construção de uma imagem mais intencional e estratégica.

Como consultora de imagem, observo com frequência que muitas pessoas ainda tratam os acessórios apenas como complemento estético. No entanto, quando compreendemos a moda como linguagem, percebemos que cada elemento do look participa da construção da mensagem que queremos comunicar.

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Viver Salvador não é negação da vida adulta. O olhar moral sobre o verão da cidade.

Entender o verão de Salvador exige mais do que observar os dias oficiais do Carnaval e os eventos que o antecedem. Exige entender o que atravessa gerações… e o que permanece vivo. Os eventos aqui não começam nos ensaios, nem quando o primeiro trio sai… e definitivamente não terminam na Quarta-feira de Cinzas. Em Salvador, há um estado cultural contínuo, profundamente enraizado na memória afetiva, na nostalgia (guarde essa palavra), na forma como o soteropolitano se reconhece e na maneira como a economia da cidade se movimenta, especialmente no turismo e na economia popular.

Quando o verão soteropolitando é descrito como uma “intensa rotina de eventos” que os turistas seriam “obrigados a enfrentar”, há um deslocamento relevante de perspectiva. Salvador não existe para funcionar como cenário de descanso para quem chega. A cidade pulsa, trabalha, celebra e produz cultura ao longo de todo o ano.

O problema não é a quantidade de eventos, mas o incômodo de quem só reconhece legitimidade na vida organizada exclusivamente pelos extremos produtividade/descanso. Esse tipo de olhar pode transformar a potência cultural local em algo negativo, chegando a flertar com um olhar xenofóbico. Narrativas assim podem impactar na forma como a cidade é vista e podem, sim, gerar prejuízos simbólicos e econômicos para um território em que o turismo é parte central da engrenagem produtiva.

Reduzir a presença de pessoas com 40+, 50+, 60+ na vida cultural como uma tentativa de “congelar a juventude” é uma leitura apressada e, no limite, etarista. Viver os eventos de Salvador não tem a ver com negar a vida adulta. É recusar a ideia de que “adultecer” significa abrir mão do prazer, do corpo em movimento e da participação de experiências culturais.

Para muitos soteropolitanos, o amadurecimento acontece quando se entende que viver não se resume a trabalhar, pagar contas e cumprir protocolos sociais. Amadurece quando há clareza de que o trabalho sustenta a vida, mas não a substitui. E os eventos de Salvador, nesse contexto, não são fuga. Como disse uma amiga, parafraseando Clarice Lispector, eles nos sustentam “apesar de”.

Sim, há nostalgia no viver em Salvador. Mas não é uma nostalgia paralisante. É uma nostalgia ativa, que constrói pertencimento e sustenta uma cultura que, historicamente, precisa ser defendida para não ser apagada.

O que me causa estranhamento é o modo como a sociedade valida a nostalgia quando ela serve ao consumo. O mercado relança produtos, resgata estéticas dos anos 80 e 90, monetiza lembranças e transforma afeto em estratégia de marketing. Pesquisas legitimam a nostalgia como ferramenta de conexão emocional com marcas. Ela é tratada como ativo simbólico de alto valor… para o enriquecimento de poucos.

Mas quando essa mesma nostalgia se manifesta no corpo, na dança, na rua e na ocupação da cidade, de forma coletiva e popular, ela passa a ser deslegitimada. Torna-se sinônimo de imaturidade. Surge a indisposição. Interessante. Porque nesse momento também há “produto premium”, há curadoria elitizada e há vida acontecendo, só que validada.

Outro equívoco recorrente é supor que o soteropolitano “vai a tudo”. Não vai. E aqui o recorte de classe é incontestável. A maioria escolhe. Frequenta alguns eventos, ignora outros, circula conforme o desejo e dentro das possibilidades reais da vida adulta. E quando vai, se diverte. Porque entende que estar vivo é isso. É justamente essa capacidade de escolha, e não a renúncia automática ao prazer, que define maturidade.

Como mulher feminista, consigo compreender perfeitamente mulheres nascidas entre 1975 e 1985, filhas das camadas médias urbanas, que questionam e recusam rituais conservadores de passagem impostos como obrigatórios. Estamos cansadas de nos comportar “de forma adequada” para sustentar privilégios masculinos em uma sociedade patriarcal que pouco ou nada nos devolve. Por isso, vejo amigas negando a instituição do casamento, escolhendo outros arranjos afetivos e redistribuindo responsabilidades, inclusive a parentalidade.

E cá pra nós? Qual é exatamente o problema de uma mulher adulta escolher estar numa fila para comprar glitter de Carnaval, em vez de material escolar? Esse tipo de julgamento revela mais conservadorismo moral do que preocupação social. Falta empatia. Falta reconhecimento da autonomia feminina.

No último domingo, estive no Baile de Luiz Caldas, artista que integra a minha formação cultural desde a adolescência. O ambiente estava repleto de pessoas idosas. Ao observá-las, tanto ali quanto nas festas de rua, vejo um envelhecimento ativo, vínculo social preservado e uma cultura que não descarta corpos com o passar do tempo. Uma cidade que expulsa seus mais velhos da celebração pública, da cultura que eles próprios ajudaram a construir, empobrece a própria memória.

Para finalizar… A exaustão vem de sustentar uma vida regulada pela lógica do capitalismo, onde só a produtividade, e a produção de riqueza para poucos, legitima a existência. Os chamados “rituais de passagem” para a vida adulta operam como crenças conformistas: disciplinam corpos, desejos e o uso do tempo, dizendo o que é aceitável viver e desejar.

O cansaço não vem da festa. Vem da exigência constante de produzir, de performar maturidade e de justificar qualquer forma de prazer. Aqui, amadurecer também significa compreender que a vida comporta cansaço e alegria. Que o corpo sente… mas insiste. Que a exaustão não anula o desejo, apenas o torna mais consciente.

Talvez o erro esteja em insistir em ler Salvador com as lentes erradas. Viver a cultura da cidade não é negação da vida adulta. É uma de suas expressões mais atuais e sofisticadas. Porque “adultecer” não é deixar de brincar (oi, terapia!). É escolher quando, como e por que brincar, sabendo exatamente o peso e o valor disso.

“Adultecer”, com consciência das opressões do mundo, já é difícil o suficiente. Não precisamos criar réguas morais que tornem o viver do outro ainda mais sofrível.

Há leituras sobre Salvador que revelam mais sobre o olhar de quem observa do que sobre a cidade observada. Quando uma manifestação cultural complexa é analisada a partir de uma régua única o resultado deixa de ser análise social, e passa a ser julgamento moral raso travestido de reflexão.

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Magreza, poder, distração social e o mito da beleza

Quando Maya afirmou, no passado, que “gente rica é apaixonada por magreza”, a frase foi recebida como polêmica. Mas, antes de tudo, ela operou como um diagnóstico social. Incômodo, mas preciso.

A declaração surgiu no contexto em que sua magreza vinha sendo amplamente comentada e criticada. E, naquele momento, eu concordei com a constatação central: a magreza feminina funciona como marcador de diferenciação social. No entanto, discordei profundamente da forma como essa constatação foi utilizada. Não como denúncia estrutural, mas como ferramenta de validação pessoal.

A própria Maya declarou ter investido cerca de cinco milhões de reais para se enquadrar em um padrão específico de feminilidade: magra, pele branca, cabelo longo e liso, olhos claros, corpo musculoso. Esse dado não é acessório. Ele revela algo central: quem tem dinheiro pode escolher qual estereótipo de feminilidade vai performar. Mas isso não configura liberdade. Entendo que configura um acesso ao modelo hegemônico.

Esse estereótipo não nasce do acaso. Ele é herdeiro direto de uma lógica eurocêntrica, racista, patriarcal e classista. Quando uma figura pública reforça esse padrão como símbolo de sucesso, ela não está falando apenas de si. Ela está alimentando uma engrenagem que já opera há séculos.

No livro O Mito da Beleza, Naomi Wolf argumenta que os padrões estéticos funcionam como um sistema de controle social. É importante pontuar que controvérsias posteriores envolvendo a autora não invalidam a relevância política e teórica dessa obra. Seus argumentos permanecem estruturalmente consistentes.

No livro faz se entender que nesse sistema, a mulher é ensinada a investir tempo, energia, dinheiro e sofrimento na construção de um corpo desejável, enquanto poderia estar investindo em autonomia financeira, produção intelectual, poder político e organização coletiva. Beleza, nesse modelo, não é uma questão estética. É uma tecnologia de distração.

Esse raciocínio se atualiza de forma evidente no atual boom das canetas emagrecedoras e das pílulas. A magreza extrema retorna com força, agora embalada pelo discurso da indústria farmacêutica e médica. E aqui existe uma contradição central.

Durante anos, movimentos contra a gordofobia afirmaram que não se trata apenas de força de vontade. Que existem atravessamentos metabólicos, hormonais, corporais e culturais. Esse argumento foi sistematicamente deslegitimado. Hoje, esse mesmo discurso passa a ser aceito… desde que sirva para sustentar um modelo de medicalização contínua. Não como possibilidade. Não como escolha. Ou seja, como protocolo vitalício.

Paralelamente, a história mostra que sempre que mulheres avançam socialmente, surge um movimento de recaptura. Esse movimento opera, sobretudo, desviando a atenção das mulheres. Desvia-se energia política para energia estética. Desvia-se conflito estrutural para conflito corporal.

Na Segunda Guerra Mundial, mulheres ocuparam massivamente o mercado de trabalho. Quando os homens retornaram, elas foram empurradas de volta para o espaço doméstico, embaladas pelo ideal da dona de casa perfeita. Hoje, o discurso não se limita apenas ao “volte para casa”. Ele se reorganiza também com o “volte para o espelho”.

É importante afirmar: o problema não é uma mulher escolher ser magra. O problema é a imposição da magreza como moeda de valor social. O problema é comunicar, direta ou indiretamente, que esse corpo magro é o único corpo legítimo de existir.

Como Bell Hooks nos lembra, o feminismo não é sobre acesso individual ao poder. É sobre desmontar os sistemas que produzem desigualdade. Escolher o estereótipo mais caro não é libertação. Libertação é questionar por que ainda precisamos de estereótipos.

Se esse conteúdo te atravessou, transforme incômodo em ação. Compartilhe. Comente. Coloque esse debate em circulação. Corpo é política. E silêncio é escolha.

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Noite da Aclamação: Raul Seixas como tema, gala como base e os limites da leitura de dress code

A Noite da Aclamação partiu de um direcionamento objetivo: roupas de gala como base somadas a uma homenagem estética a Raul Seixas. Formalidade, ousadia, autenticidade e atitude estavam claramente colocadas como pilares do manifesto visual divulgado pela organização.

O dress code existiu. Foi publicado. Estava acessível. Ainda assim, é possível afirmar que foi pouco lido — e isso gerou ruído.

Em um baile com tema, não basta estar bem vestido. Não basta estar “bonito”. Look precisa de intenção, narrativa e leitura estética. Precisa comunicar.

Parte do público optou por produções corretas do ponto de vista da formalidade, mas genéricas em relação ao conceito. Vestidos de festa apareceram em grande número, porém sem a camada simbólica que conectaria essas peças ao homenageado. Nesse contexto, os acessórios eram o principal instrumento de diferenciação. Quando inexistentes ou mal explorados, os looks permaneceram no óbvio.

Por outro lado, houve participantes que entenderam exatamente o que estava sendo proposto e entregaram imagem, conceito e personalidade.

Zebrinha surgiu elegante, dentro da formalidade exigida, com referências simbólicas bem aplicadas. Os óculos, elemento fortemente associado a Raul Seixas, ampliaram a leitura do look.

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Rafaela Amoreira demonstrou compreensão da proposta. Mesmo utilizando uma cor clara, tradicionalmente menos associada ao universo gala, construiu uma produção coerente com o conceito do evento.

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Dinho Junior, produzido por Filipi, apresentou uma leitura autoral, combinando originalidade e homenagem.

A DJ Vivi, mesmo com a liberdade estética que acompanha sua atuação artística, se posicionou dentro do dress code, respeitando o direcionamento proposto.

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Quando anfitriões estabelecem um conceito, é esperado que também o incorporem em suas escolhas visuais. Entre os dois anfitriões, Leo e Lore, o último look apresentado foi o que mais se aproximou do conjunto de informações descritas nos cards oficiais.

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Entre as madrinhas, todas estavam elegantes. Ainda assim, senti falta de referências mais evidentes ao tema. A exceção foi Rafaela Meccia, que trouxe símbolos claros conectados ao homenageado.

Um dos destaques finais foi um look em renda branca de leitura não óbvia. A renda poderia facilmente conduzir a outras referências estéticas, inclusive ligadas às religiões de matriz africana, mas a combinação entre modelagem e acessórios afastou esse caminho, mantendo a produção dentro da proposta do evento.

A Noite da Aclamação reafirma sua relevância como acontecimento cultural. Ao mesmo tempo, evidencia um ponto importante: dress code não é sugestão. É direcionamento. E direcionamento só funciona quando é lido, compreendido e aplicado.

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Feira na Rosenbaum em Salvador: quando a legitimação vem de fora e o espelho revela mais do que gostaríamos

A primeira edição da Feira Rosenbaum em Salvador, realizada em associação com a Nordestesse e ocupando o Palacete Tira Chapéu, não foi apenas a chegada de uma plataforma nacionalmente consolidada à cidade. Foi um acontecimento simbólico. Para muita gente da cidade, essa foi a primeira vez dentro do Palacete. Para outras tantas, o primeiro contato real com marcas autorais dentro de um contexto legitimado por um grande nome. E esse dado, por si só, carrega um “desconforto”.

A Rosenbaum se define como “um encontro que reúne artistas e designers independentes para levar ao público criações autorais e com identidade brasileira”. Em Salvador, a Feira encontrou uma cidade que produz tudo isso há muito tempo. Então a pergunta inevitável é: o que muda quando essa produção aparece sob um carimbo externo? Muda o fluxo de pessoas. Muda o interesse. Muda o valor atribuído. É nessa modificação que mora a questão.

Entendam… entre as marcas vindas de fora, acessórios como as de The Morais, Bianca Teotônio, Amanda Tartik e Estúdio Greta chamavam atenção não só pela estética, mas pela forma como se apresentavam. Existia um domínio claro de discurso. Materiais, processos e intenções eram comunicados com precisão. Não se vendia apenas o objeto. Vendia-se pensamento. E isso ajuda a desmontar uma fantasia comum: a de que produto autoral simplesmente brota. Não brota. Ele é construído. É fruto de pesquisa, tentativa, erro, ajuste, investimento e, muitas vezes, de um privilégio estrutural que permite tempo de maturação.

Enquanto essas marcas eram recebidas com curiosidade e encantamento, marcas locais igualmente potentes passam muitas vezes despercebidas nesse mesmo espaço de escuta. O trabalho de Junia Machado desenvolve joalheria com identidade consistente e pesquisa estética clara. A DUA, marca soteropolitana com loja física no casarão amarelo do Rio Vermelho, sustenta um ponto fixo de criação autoral em Salvador, algo difícil, e ainda assim permanece fora do radar de muita gente que se deslocou até a Feira.

E aqui é importante ser direta… o problema não é a presença das marcas de fora. Ela é positiva. O problema é o movimento contraditório de quem mora aqui.

Outro exemplo, na moda, os bordados de Alina Amaral comunicam tempo, cuidado e sensibilidade. A Tela, ao unir design contemporâneo e bordados tradicionais, apresenta uma moda que não tenta ser apressada. E isso, hoje, é um posicionamento forte. É exatamente nesse mesmo território de comunicação que atuam marcas locais como Eyde Dantas, que borda palavras, narrativas e memória diretamente nas peças, e Moab, de Feira de Santana, que regionaliza signos com inteligência visual, trocar a sardinha pela petitinga é um gesto simples, mas profundamente simbólico. Moda autoral, nesse contexto, não aparece como tendência. Aparece como linguagem. É a moda como comunicação.

No campo dos objetos e da casa, o colorido da Ceramiquinho e de Maria Gabriela trouxe afeto e calor visual. O Estúdio Libero apresentou peças que extrapolam função e convidam à interpretação. E, em Salvador, a mesma matéria-prima está presente em marcas como Let Marques Cerâmica e Meu Tortinho, que desenvolvem peças com identidade, pesquisa de forma, cor e uso. Sem esquecer que existe um polo cerâmico ancestral em Maragogipinho, com mestres e mestras que sustentam saberes há gerações.

Reconhecer essa importância local é sofisticado. E necessário!

No design gráfico, faço um parêntese autocrítico… eu não conhecia pessoalmente o trabalho do Estúdio Agá, que é baiano. Já havia tido contato com a Crua, também baiana, por meio de uma amiga em comum. Ambas dialogavam, em nível de consistência conceitual, com a Fabrico de Ideias, de Recife, que completou um recorte. Linguagens distintas, mas todas sustentadas por identidade forte e entendimento do design como ferramenta cultural. Esse meu reconhecimento tardio também diz algo.

O que atravessa todas essas camadas é um comportamento recorrente: ainda valorizamos mais quando vem de fora. A Feira na Rosenbaum não cria essa lógica. Ela evidenciou.

O fato de tantas pessoas terem entrado no Palacete Tira Chapéu pela primeira vez por causa da Feira é, ao mesmo tempo, positivo e alarmante. Positivo porque amplia repertório. Alarmante porque expõe que muitos só atravessam certas portas quando existe um grande validador envolvido.

Criação autoral local não pode ser encarada como alternativa periférica. Ela também é base cultural nacional. Se queremos uma cidade com identidade criativa forte, precisamos saber como distribuir nosso olhar e, principalmente, onde colocamos nosso dinheiro.

Marcas locais não podem ser segunda opção, principalmente porque não há sempre grandes eventos. Elas também são o nosso próprio evento. E estão aqui todos os dias.

A Feira na Rosenbaum passou. Agora fica a pergunta… o interesse pelo autoral também passa? Porque nosso repertório não se constrói com visita pontual. Se constrói em permanência.

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Mercado do Tira – Edição Especial de Verão chega a Salvador nesta semana

A partir de hoje, Salvador será palco da terceira edição do Mercado do Tira, evento que integra moda, lifestyle e experiências culturais com foco em marcas autorais e economia criativa. A programação acontece de 15 a 18 de janeiro de 2026, no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico, e promete movimentar o cenário de moda e conteúdo criativo da cidade.

Este ano, o Mercado do Tira apresenta uma seleção de marcas independentes e autorais que atuam com moda feminina, acessórios, beleza, bem-estar, arte e papelaria. Entre os nomes confirmados estão Amará, Aqui Brasil, By Nina Brand, De Tudo Que Eu Vejo, Eyde Dantas, Fê Abbehusen, Guiguirika, Kolombina, Luana Rodrigues, Muzuá Bahia, Plier, Pythia, Soul Seven Club e Ticiana Hoisel.

Durante os quatro dias de evento, o público terá a oportunidade de vivenciar tendências, conhecer coleções autorais e interagir diretamente com os criadores, fortalecendo a cultura de consumo consciente e o protagonismo de talentos locais e nacionais.

Como parte da programação especial, o evento também inclui a Experiência K-Day, uma ação que promove imersão na cultura sul-coreana com oficinas de lettering coreano, atividades temáticas, momentos gastronômicos e vivências criativas. A experiência acontece no dia 17 de janeiro, das 13h às 17h, no piano-bar do Palacete Tirachapéu, com inscrições disponíveis mediante contribuição de R$ 120.

Serviço:
📍 Local: Palacete Tirachapéu – Rua Chile, Centro Histórico – Salvador (BA)
📅 Data: 15 a 18 de janeiro de 2026
⏱️ Horário: programação contínua ao longo dos dias do evento
🎟️ Entrada: gratuita (Experiência K-Day com inscrição opcional)

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Verão é menos roupa. E também é mais assertividade.

Sim, o verão permite, e muitas vezes exige, menos roupa. Mais pele à mostra, menos camadas e maior ventilação do corpo. Shorts, bermudas, camisetas, decotes e modelagens mais amplas não são apenas escolhas estéticas, são decisões funcionais de conforto térmico.

Isso é fato.

O erro está em acreditar que qualquer peça leve resolve. No verão, o vestir precisa ser ainda mais consciente, porque cada escolha pesa mais na leitura final da imagem.

A cor influencia diretamente a sensação térmica e o peso visual

Cores claras tendem a refletir mais luz e absorver menos calor, o que favorece o conforto térmico. Além disso, visualmente, comunicam leveza, frescor e fluidez, características coerentes com a estação.

Já cores escuras absorvem mais calor e aumentam o peso visual da composição. Isso não significa que devam ser excluídas, mas usadas com estratégia: em tecidos leves, modelagens amplas ou em pontos específicos do look, evitando grandes áreas de abafamento.

Vale lembrar… cor não é só estética. É funcionalidade e comunicação.

Tecidos: composição, gramatura e desempenho

A gramatura do tecido impacta diretamente na sensação térmica e no comportamento da peça no corpo. Fios mais finos e tecidos mais leves oferecem maior respirabilidade, mais movimento e menos retenção de calor.

A composição também importa. Tecidos naturais e mistos favorecem a troca térmica, enquanto tecidos sintéticos com tecnologia podem oferecer desempenho interessante quando bem aplicados.

Tecidos tecnológicos: apoio, não solução isolada

Algumas marcas investem em tecidos sintéticos com tecnologia que prometem respirabilidade, secagem rápida e conforto térmico. Essas soluções podem funcionar, desde que alinhadas à modelagem, à cor e ao contexto de uso.

Tecnologia não compensa uma escolha equivocada de cor, corte ou proporção.

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Modelagem e quantidade de peças

No verão, mais pele à mostra e mais espaço entre o tecido e a pele favorecem a ventilação e o conforto. Modelagens amplas, recortes estratégicos e redução de camadas fazem diferença real no uso diário.

É, sim, menos roupa… mas com mais intenção.

Verão é leitura de contexto

O vestir de verão exige análise objetiva:

  • Quais cores favorecem conforto e coerência?
  • Qual tecido sustenta a rotina real?
  • Onde a tecnologia agrega?
  • Como a modelagem impacta na ventilação e imagem?

Sua imagem não entra em férias por causa do calor. Ela se adapta com assertividade.

Quando o vestir deixa de ser reativo à temperatura e passa a ser estratégico, o verão deixa de ser um problema e passa a ser uma ferramenta de comunicação consistente.

Consultoria de imagem também é isso: fazer boas escolhas, inclusive quando a escolha é usar menos roupa.

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João Gomes e o vestir como estratégia de imagem

Quando o Nordeste deixa de ser estética e vira posicionamento

A imagem pública de João Gomes não se sustenta apenas pela música. Ela se consolida por uma construção visual coerente, contínua e profundamente alinhada à sua origem nordestina. O que vemos em seus looks não é figurino improvisado, tampouco uma apropriação estética rasa. É estratégia de imagem aplicada com clareza.

João não veste apenas roupas. Ele constrói narrativa. Suas escolhas dialogam com referências de couro, artesanato, clima, botas, chapéus e jeans… códigos visuais diretamente ligados à cultura popular do Nordeste. Essa estética não aparece como caricatura ou nostalgia, mas como linguagem contemporânea, adaptada ao palco, à mídia e ao mercado.

Ao longo dos anos, essa coerência se desdobra também em decisões comerciais. João Gomes passou a investir na moda nacional de forma estruturada, chegando a assinar colaborações com grandes marcas. Em 2023, por exemplo, fez uma collab com a Renner, uma marca de forte presença popular e conexão direta com públicos periféricos. Essa escolha não é neutra: ela reforça proximidade, acessibilidade e pertencimento.

Na gravação do DVD nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, esse posicionamento ficou ainda mais evidente. Ao lado do stylist Rafhael Castro, João optou por vestir exclusivamente marcas autorais, respeitando a estética brasileira e, principalmente, nordestina. Cada look foi pensado como parte da narrativa do show, não como elemento isolado.

Um dos pontos altos foi o uso de um look da marca Foz, do estilista alagoano Antonio Castro, com bordados e pinturas inspirados na Zona da Mata de Alagoas. Aqui, moda e música se encontram como ferramentas de ativação da economia criativa local. Não se trata apenas de visibilidade, mas de legitimação de saberes, técnicas e histórias que costumam ficar à margem do mainstream.

Essa lógica se repete em outros momentos-chave da carreira do artista. No tapete vermelho do Grammy Latino, João escolheu um terno de linho com bordados 100% brasileiros, confeccionados por bordadeiras potiguares. Levar esse tipo de trabalho artesanal para uma premiação internacional é um gesto claro de posicionamento: ele afirma brasilidade, raiz e autenticidade em um espaço globalizado que, historicamente, privilegia referências externas.

O contraste com outros artistas nordestinos de grande projeção é inevitável. Muitos optam por marcas internacionais ou labels concentradas no eixo Sul-Sudeste como forma de validação simbólica. João segue na contramão. Ele transforma o Nordeste em ativo estratégico de imagem, e não em algo a ser suavizado ou neutralizado.

Esse tipo de escolha importa porque moda comunica discurso. Vestir o Nordeste, da forma como João Gomes faz, é afirmar origem, reforçar pertencimento e construir uma imagem pública coerente com sua trajetória. Isso gera identificação, fideliza público e fortalece sua marca pessoal.

No fim, a moda aparece como extensão da música e da cultura. Para João Gomes, vestir-se é contar história, ocupar espaço e assumir posicionamento. E o impacto vai além do artista: reverbera no mercado, valoriza marcas regionais e amplia o alcance da moda produzida no Norte e Nordeste.

Vestir o Nordeste não limita narrativa. Potencializa. E esse é um aprendizado valioso para qualquer pessoa que entenda a imagem como ferramenta estratégica de comunicação e posicionamento.

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Reposicionamento de Imagem Profissional: quando estilo e estratégia se encontram

No ambiente corporativo contemporâneo, onde a imagem comunica antes da palavra, reposicionar-se visualmente é mais do que uma questão estética, é uma decisão estratégica. A forma como nos apresentamos, tanto presencialmente quanto nas redes, influencia diretamente a forma como somos percebidos e, consequentemente, as oportunidades que alcançamos.

Foi com essa perspectiva que conduzi recentemente um processo de escolha dos looks para o Reposicionamento de Imagem Profissional, envolvendo Análise de Estilo, Personal Shopper e Ensaio Fotográfico. Cada etapa foi pensada para traduzir visualmente a identidade da cliente, alinhando propósito, estilo e posicionamento de carreira.

Da análise ao ensaio: cada etapa comunica

O ponto de partida foi a Análise de Estilo, momento em que mergulhamos na essência da cliente… seus valores, objetivos e contexto profissional. A intenção é compreender quem ela é e como deseja ser percebida, para construir uma narrativa visual coerente com essa transição.

Na sequência, o Personal Shopper funcionou como um verdadeiro laboratório de percepção. Mais do que comprar roupas, esse processo estimula um olhar crítico sobre qualidade, caimento, funcionalidade e mensagem. Cada escolha reforça a autoridade e o profissionalismo que a cliente busca comunicar.

Por fim, o ensaio fotográfico fecha o ciclo: traduz em imagem o novo posicionamento. Postura, gestual e composição visual consolidam o reposicionamento não apenas como mudança de guarda-roupa, mas como reposicionamento de identidade.

Imagem é gestão de percepção

Reposicionar-se profissionalmente não é apenas atualizar o visual… é reposicionar a narrativa! É compreender que a imagem é um ativo estratégico, capaz de abrir portas, gerar conexões e sustentar autoridade.

No mercado atual, em que a presença digital é extensão da carreira, investir na própria imagem é investir em credibilidade e coerência. Quando o visual comunica a mensagem certa, o resultado é impacto, reconhecimento e clareza de propósito.

Precisamos tomar cuidado com os “ruídos”, símbolos comunicam e quando usados de forma errada geram um impacto negativo.

A imagem como mensagem

Reposicionar a imagem profissional é, essencialmente, alinhar quem você é ao que o mercado precisa enxergar. É sobre autenticidade, mas também sobre estratégia.

A boa comunicação imagética não segue modismos, ela respeita a trajetória e o momento de cada profissional. É um processo de autoconhecimento aplicado à imagem, capaz de transformar percepções e reposicionar carreiras.

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Luxo, arte e artesanato: nos bastidores da FENABA 2025

Entre os dias 9 e 12 de outubro de 2025, a Arena Fonte Nova sediou a segunda edição do Festival Nacional de Artesanato da Bahia (FENABA), levando ao público cerca de 500 artesãos de 18 estados do Brasil.

O evento, com o tema “Letras e Ritmos: A Sinfonia do Artesanato da Bahia”, representou uma aposta na valorização do artesanato como pilar da economia criativa e expressão cultural de identidade. Durante a visita, o que mais me marcou não foram os objetos expostos, mas o que há por trás deles: o tempo, a memória e o pertencimento. É neste limiar, entre o visível e o invisível, que arte, artesanato e luxo se tornam interseccionais.

Para mim, luxo não é sinônimo de ostentação mecânica, mas sim o que nasce das mãos, o que não se replica em massa, o que transporta história, o que guarda em si o tempo vivido.

Trama ancestral e preservação identitária

Logo na entrada do espaço de exposições, o visitante foi recebido por ambientes dedicados à ancestralidade: povos originários e comunidades afrodescendentes. Ali, estava visível que, antes de qualquer moda do momento, há saber. E ele continua tangível… tramado, alinhavado e esculpido.

O espaço reservado aos mestres e mestras funcionou quase como um santuário do tempo. Encontrá-los conversando e trocando sobre seus trabalhos me deu um sentimento de admiração e desejo de aprendizado. No stand do SESC, a cada movimento da agulha, do tear ou dos bilros, surge um ponto e, com ele, uma história. Vi peças sendo confeccionadas ao vivo com encantamento.

Nos stands de outras regiões do Brasil, encontrei nomes que permeiam meu ideal de profissional da moda que valoriza a história sertaneja e outras culturas:

  • Expedito Seleiro: couro trabalhado e costura manual, peça após peça;
  • Chris Alves: joias que dialogam com ecologia e autenticidade;
  • Guga Marques: madeira que preserva a organicidade da matéria-prima;
  • Renda de Divina Pastora: um patrimônio imaterial cujo ofício se perpetua há gerações.

A renda irlandesa de Divina Pastora é registrada como patrimônio cultural imaterial brasileiro desde 2008, com destaque especial para o modo de fazer, que é protegido e reconhecido como saber coletivo. Essa transmissão intergeracional está ameaçada, mas é justamente esse risco que confere ainda mais valor ao ofício artesanal.

Luxo e mercado cultural: tensões e opções

No universo de glamour do mercado cultural, existem tensões que merecem nossa atenção. Historiadores nos lembram de algo crucial: a beleza de uma peça, como a renda irlandesa, não pode ofuscar a mão que a criou. É preciso valorizar o saber-fazer e as rendeiras que carregam essa herança. É um chamado para que os governos fortaleçam as políticas de apoio aos artesãos.

Por que esse festival importa

Nesse cenário, luxo, arte e artesanato deixam de ser categorias estagnadas: tornam-se interseções de uma economia simbólica que exige reflexão.

  • Arte: porque há expressão estética;
  • Artesanato: porque há técnica, manualidade e vínculo com território;
  • Luxo: porque é está no subconsciente coletivo como algo de maior valor.

Ou seja: luxo para mim não é estático. E é essa visão que enriquece meu trabalho como consultora de imagem.

Minha presença em eventos como o FENABA não é por acaso. É lá que busco a inspiração e o repertório para ir além do óbvio. Como consultora de imagem, meu papel é fazer essa ponte entre a beleza genuína do artesanato e o seu estilo pessoal. O meu diferencial é construir, com você, uma imagem que conta uma história, que valoriza a singularidade e que reflete a sua essência com a profundidade de uma peça feita à mão.

Vamos começar essa transformação?