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Luxo, arte e artesanato: nos bastidores da FENABA 2025

Entre os dias 9 e 12 de outubro de 2025, a Arena Fonte Nova sediou a segunda edição do Festival Nacional de Artesanato da Bahia (FENABA), levando ao público cerca de 500 artesãos de 18 estados do Brasil.

O evento, com o tema “Letras e Ritmos: A Sinfonia do Artesanato da Bahia”, representou uma aposta na valorização do artesanato como pilar da economia criativa e expressão cultural de identidade. Durante a visita, o que mais me marcou não foram os objetos expostos, mas o que há por trás deles: o tempo, a memória e o pertencimento. É neste limiar, entre o visível e o invisível, que arte, artesanato e luxo se tornam interseccionais.

Para mim, luxo não é sinônimo de ostentação mecânica, mas sim o que nasce das mãos, o que não se replica em massa, o que transporta história, o que guarda em si o tempo vivido.

Trama ancestral e preservação identitária

Logo na entrada do espaço de exposições, o visitante foi recebido por ambientes dedicados à ancestralidade: povos originários e comunidades afrodescendentes. Ali, estava visível que, antes de qualquer moda do momento, há saber. E ele continua tangível… tramado, alinhavado e esculpido.

O espaço reservado aos mestres e mestras funcionou quase como um santuário do tempo. Encontrá-los conversando e trocando sobre seus trabalhos me deu um sentimento de admiração e desejo de aprendizado. No stand do SESC, a cada movimento da agulha, do tear ou dos bilros, surge um ponto e, com ele, uma história. Vi peças sendo confeccionadas ao vivo com encantamento.

Nos stands de outras regiões do Brasil, encontrei nomes que permeiam meu ideal de profissional da moda que valoriza a história sertaneja e outras culturas:

  • Expedito Seleiro: couro trabalhado e costura manual, peça após peça;
  • Chris Alves: joias que dialogam com ecologia e autenticidade;
  • Guga Marques: madeira que preserva a organicidade da matéria-prima;
  • Renda de Divina Pastora: um patrimônio imaterial cujo ofício se perpetua há gerações.

A renda irlandesa de Divina Pastora é registrada como patrimônio cultural imaterial brasileiro desde 2008, com destaque especial para o modo de fazer, que é protegido e reconhecido como saber coletivo. Essa transmissão intergeracional está ameaçada, mas é justamente esse risco que confere ainda mais valor ao ofício artesanal.

Luxo e mercado cultural: tensões e opções

No universo de glamour do mercado cultural, existem tensões que merecem nossa atenção. Historiadores nos lembram de algo crucial: a beleza de uma peça, como a renda irlandesa, não pode ofuscar a mão que a criou. É preciso valorizar o saber-fazer e as rendeiras que carregam essa herança. É um chamado para que os governos fortaleçam as políticas de apoio aos artesãos.

Por que esse festival importa

Nesse cenário, luxo, arte e artesanato deixam de ser categorias estagnadas: tornam-se interseções de uma economia simbólica que exige reflexão.

  • Arte: porque há expressão estética;
  • Artesanato: porque há técnica, manualidade e vínculo com território;
  • Luxo: porque é está no subconsciente coletivo como algo de maior valor.

Ou seja: luxo para mim não é estático. E é essa visão que enriquece meu trabalho como consultora de imagem.

Minha presença em eventos como o FENABA não é por acaso. É lá que busco a inspiração e o repertório para ir além do óbvio. Como consultora de imagem, meu papel é fazer essa ponte entre a beleza genuína do artesanato e o seu estilo pessoal. O meu diferencial é construir, com você, uma imagem que conta uma história, que valoriza a singularidade e que reflete a sua essência com a profundidade de uma peça feita à mão.

Vamos começar essa transformação?